sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Sou teu

Sentámo-nos naquele banco de jardim, com aquele verde que nos rodeava. Percorri o teu rosto com os olhos, senti o calor das tuas mãos nas minhas. Perdi-me em ti. Os teus olhos cor de liberdade, olharam-me atentamente, procuravam respostas, e eu só tinha perguntas. Ri-mos, falámos, perdemo-nos no olhar um do outro. Soube nesse momento que eras especial, que eras um paraíso escondido.

De todas as vezes que sinto o calor da tua pele na minha, que sinto o teu respirar, o bater do teu coração junto ao meu, a minha alma eleva-se num rodopio que vai além do universo.

Sou teu.

Olhar

De longe se vê o sorriso, a fachada da pessoa que nos olha nos olhos.
Ao perto vemos a realidade da alma, vemos por aquelas janelas abertas, o sofrimento escondido, a dor, a angústia.

sábado, 11 de julho de 2015

Entre a penumbra

Por entre a penumbra que paira neste ar pesado de ti, vagueias o olhar entre as frestas de um outro alguém. Repousas parte do teu eu no seu ombro, respiras pesadamente, pausadamente. 
A sincronização que ressoa de ambos faz estremecer o tempo, tudo pára. 
Os corações batem, forte. Sentimentos ressaltam nas paredes, no tecto, no chão, no ar onde flutuam. Unem-se ambos numa metamorfose quase cósmica, imaginária. Os corações páram.
A vida continua.

sábado, 30 de maio de 2015

Para ti

És poesia aos meus olhos, puro encanto. És doce aos meus lábios, uma doçura carnal. Tens o calor de quem vive por amor, aquele abraço quente que me recarrega por dentro, que me faz transbordar pequenas pétalas de esconsas recordações tristes. Preenches me contigo, sou inteiro, finalmente.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

"Tinha-me levantado cedo e tardava em preparar- me para existir."

- Bernardo Soares in Livro do Desassossego

terça-feira, 26 de maio de 2015

Tenho um vazio no peito

Tenho um vazio no peito. Um buraco negro, que de tão grande que é, me absorve a alma e o sentido. Que me arrebata de tal forma que a única coisa que me faz querer, é a não existência. Já não sou nada, deixei de existir quando partiste, deixei de ser alguém para ser um vazio. Levaste contigo o meu coração, a minha vida.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Tempestade

Respiro a tua essência numa noite em que o ar à nossa volta está podre e desgastado de tanto ódio.
Repouso o meu corpo no teu, na esperança de renascer das tuas cinzas e me tornar numa fénix de luz e fogo, partilhando a tua metamorfose.

Rasgo a noite e os céus ao teu lado, a vida que nos abala violentamente como uma tempestade, cessa de nos atingir. Tudo está calmo agora. Perco-me nas horas que passam sem qualquer significado, numa valsa de amor e lágrimas. Conseguimos sobreviver à intempérie dos nossos corações.